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Sandra May - Para si a escrita é... a forma mais bonita de eu dar vida a tudo o que desejar.

Atualizado: 11 de nov. de 2022

"Hoje, a escrita não é só a minha carreira como também é a minha terapia."

Olá, Sandra!

É um privilégio ter aceitado o nosso convite para esta entrevista.

Vamos lá…


Quem é a Sandra May?

A Sandra May é uma miúda sonhadora. Nunca tem medo de arriscar, mudar ou recomeçar as vezes que forem necessárias. A May é a pessoa que descobriu que o seu propósito é ser, simplesmente, feliz.


Como a escrita entrou na sua vida?

A escrita sempre esteve presente na minha vida, pelo menos desde os meus 12 anos, quando escrevia nos diários (que hoje ainda mantenho). Hoje, a escrita não é só a minha carreira como também é a minha terapia.


Sempre foi uma vontade sua entrar neste mundo das palavras?

Eu sempre disse que ia escrever um livro, mas nunca pensei seriamente em ser escritora. Foi algo que simplesmente aconteceu.


"Sem ele, não sei se a May algum dia teria nascido."

Onde vai buscar a sua inspiração? O que a move?

A autodescoberta, o desafio e a ideia de me imortalizar em algo, é o que me move. O que me inspira é tudo aquilo que eu consiga dar vida, nem que seja numa mera fantasia.


Como a sua família viu esta decisão sua de se tornar escritora?

Não foi fácil. Até porque foi uma surpresa para todos quando abandonei tudo, mais uma vez, para recomeçar. Hoje apoiam-me e claro, se hoje sou escritora foi porque o meu marido me incentivou a sê-lo. Sem ele, não sei se a May algum dia teria nascido.


O que sentiu ao deixar a sua vida no Porto e mudar-se para o Ribatejo?

Alívio. Apesar de estar longe daqueles que mais amo, sei que o fiz por mim. Precisava de colocar uma folha em branco na minha vida e escrever algo novo. Foi a melhor decisão que tomei até hoje. Claro, que conhecer o meu marido foi um bónus maravilhoso para esta tomada de decisão.


"Sinto que tive de me sentir excluída, de sentir que o mundo não era para mim e foi preciso ter andado numa busca constante."

Em criança gostava de ser advogada, depois formou-se como bailarina, já na universidade inscreveu-se em criminologia, acabando por ingressar na carreira militar. Todas estas mudanças influenciaram a escrita? No seu ponto de vista, sente que tinha de percorrer todo aquele caminho para chegar aqui?

Sinto que tive de me sentir excluída, de sentir que o mundo não era para mim e foi preciso ter andado numa busca constante, para me ajudar a dar valor ao que é realmente importante. E claro que todos os meus percursos são grande parte da minha inspiração. Eu já fui tanta coisa e tenho mil e uma histórias para contar. Tenho uma vida preenchida. Tenho a certeza de que aquilo que depender de mim, não haverá nada por viver. Tive de percorrer todo este caminho para hoje estar a falar com vocês.


Defina-se numa palavra.

Anticonformismo. (Arriscada, também seria uma boa escolha).


Neste momento, a sua profissão é inteiramente dedicada à escrita ou tem outros projetos?

O meu foco é a escrita e sim, estou inteiramente dedicada à escrita, mas sei gerir muito bem o meu tempo e isso permite-me ter outros projetos como: o teatro, podcast, as aulas de dança e yoga.


"A autodescoberta que fiz e ainda estou a fazer nem sempre é bonita ou fácil."

A 5 de Agosto começou o projeto “meninaescrivaninha”, o que a levou em primeiro lugar a começá-lo e depois renomeá-lo?

Gosto muito de frases motivadoras e decidi criar um para partilhar a minha opinião e visão sobre o mundo, ajudar os outros, motivar quem quer ser motivado, incentivar quem quer ser incentivado. Decidi renomeá-lo para deixar bem claro quem é a Sandra May.


Durante a adolescência e a fase jovem adulta passou por um processo pessoal que a deve ter marcado, o quanto a moldou?

Sim, passei por uma fase menos boa. Na verdade, super revoltada. Mas tive de crescer e perceber que se quero ver mudança no mundo, essa mudança tem de começar por mim. A autodescoberta que fiz e ainda estou a fazer nem sempre é bonita ou fácil. Tem dias que dói e que a culpa regressa, mas crescer é isto mesmo, não é verdade?


De alguma forma tenta chegar aos seus leitores através da sua história de vida?

Até a um certo nível, sim. O que eu tento fazer ao chegar aos meus leitores é transmitir boas energias, dizer que está tudo bem sentir o que eles sentem, que é permitido ser quem eles são, livres de culpa. Quero transmitir que a autodescoberta não é para quem está confuso, mas sim para quem se quer conhecer por inteiro.


"Sinto que tenho de crescer emocionalmente, um pouco mais."

Nestes dois anos lançou três projetos distintos. Um ebook, um conto infantil e uma comédia romântica. Qual deles a tocou mais?

A comédia romântica. Foi o trabalho mais duro que tive de fazer. Diverti-me tanto. Emocionei-me ainda mais. E saber que está a ser tão bem recebido pelos leitores, deixa-me grata.


“Minha Querida Ansiedade” foi um ebook com um selo pessoal, sem dúvida, pretendia que de alguma forma ajudasse quem passa pelo mesmo?

Claro que sim. Um enorme SIM! Ter ansiedade é viver com um monstro numa sombra à espera de nos assustar. Não é fácil. Não é bonito. E eu tentei explicar com humor o que acontece comigo. Quero muito que respeitem a ansiedade e que sejam fortes o suficiente para perceber que a vida é muito mais que ataques de pânico. E que nós, ansiosos, não somos a nossa ansiedade. Apenas a abraçamos de uma forma mais significativa do que o resto do mundo e temos de aprender a largar.


O desenvolvimento pessoal é um género que gostava de explorar?

O meu primeiro livro que escrevi foi desenvolvimento pessoal, mas até hoje está na gaveta. Ainda não tenho coragem para pegar nele. Sinto que tenho de crescer emocionalmente, um pouco mais.


"Senti como se o mundo tivesse nas minhas mãos, pelo menos o meu mundo."

Como o conto “Herói Boa-Ação” entrou na sua vida? Gostava de voltar a criar uma história assim para os seus leitores?

O meu querido Herói Boa-Ação entrou por acaso na minha vida. Vi um anúncio de uma editora a incentivar a concorrer a contos infantis e decidi arriscar. Hoje temos o herói Rodrigo e a sua irmã Beatriz no mundo. Quero muito voltar a criar uma história assim, mas desta vez tenho uma protagonista especial. Mas até lá, não posso dizer nada.


O quanto de si, do que passou e aprendeu está refletido nas suas histórias?

A esperança, os medos, as dúvidas e as aventuras, são muito minhas.


Este ano, em fevereiro lançou o seu primeiro romance, o que sentiu quando o teve nas mãos?

Senti como se o mundo tivesse nas minhas mãos, pelo menos o meu mundo. Adorei sentir o seu peso e folhear as folhas que eu escolhi. É o meu bebé mais especial.


"Eu sinto que dividi a minha personalidade em duas partes e criei a Lara e a Maria."

“Ainda Não é Desta” é uma história leve e impactante, o quanto as duas personagens principais tem de si?

Eu sinto que dividi a minha personalidade em duas partes e criei a Lara e a Maria. Dois polos que pertencem exatamente à mesma pessoa. Não existe uma sem a outra.


Neste momento, vê-se mais como Maria ou Lara?

Neste momento, sou muito Maria. Forte, determinada e descomplicada (esta última ainda estou a aprender).


Quanto demorou a escrever esta história? O que a motivou?

Três anos até tê-lo nas minhas mãos, mas foram quase dois a escrevê-lo. O restante tempo foi para revisão e as devidas etapas. Fui desafiada por uma camarada minha a escrever um romance e aqui está ele. Escrevi por pura diversão e agora tenho consciência que é o primeiro de muitos.


"A razão é o meu investimento em mim e na minha obra."

Sabemos que o “Ainda Não é Desta” é o primeiro de uma trilogia, o que podemos esperar?

A verdade. A trilogia do AND não é nada mais, nada menos, do que a vida real. Conheço e sei que a maioria dos jovens e adultos passam pelas peripécias que Lara enfrenta e dramatiza. Assim como sei que é essencial ter uma Maria nas suas vidas. Comédia, amor, dramas, problemas, dúvidas, sexo, autodescoberta e muito vinho.


Olhando para o seu percurso enquanto escritora, está arrependida de alguma decisão?

De ter tomado algumas decisões de forma precipitada.


“Ainda Não é Desta” é uma autopublicação, existe alguma razão por ter optado por essa via?

A razão é o meu investimento em mim e na minha obra. Eu nunca vou cruzar os braços, nem vou permitir que as minhas oportunidades dependam única e exclusivamente de alguém.


"Na maravilhosa expressão que nós no dia a dia dizemos."

De onde surgiu a ideia para o título?

Na maravilhosa expressão que nós no dia a dia dizemos quando estamos desiludidos com a vida: “Ainda não foi desta”.


Defina numa frase esta história.