Sandra May - Para si a escrita é... A forma mais bonita de eu dar vida a tudo o que desejar.

"Hoje, a escrita não é só a minha carreira como também é a minha terapia."

Olá Sandra!

É um privilégio ter aceite o nosso convite para esta entrevista.

Vamos lá…


Quem é a Sandra May?

A Sandra May é uma miúda sonhadora. Nunca tem medo de arriscar, mudar ou recomeçar as vezes que forem necessárias. A May é a pessoa que descobriu que o seu propósito é ser, simplesmente, feliz.


Como a escrita entrou na sua vida?

A escrita sempre esteve presente na minha vida, pelo menos desde os meus 12 anos, quando escrevia nos diários (que hoje ainda mantenho). Hoje, a escrita não é só a minha carreira como também é a minha terapia.


Sempre foi uma vontade sua entrar neste mundo das palavras?

Eu sempre disse que ia escrever um livro, mas nunca pensei seriamente em ser escritora. Foi algo que simplesmente aconteceu.


"Sem ele, não sei se a May algum dia teria nascido."

Onde vai buscar a sua inspiração? O que a move?

A autodescoberta, o desafio e a ideia de me imortalizar em algo, é o que me move. O que me inspira é tudo aquilo que eu consiga dar vida, nem que seja numa mera fantasia.


Como a sua família viu esta decisão sua de se tornar escritora?

Não foi fácil. Até porque foi uma surpresa para todos quando abandonei tudo, mais uma vez, para recomeçar. Hoje apoiam-me e claro, se hoje sou escritora foi porque o meu marido me incentivou a sê-lo. Sem ele, não sei se a May algum dia teria nascido.


O que sentiu ao deixar a sua vida no Porto e mudar-se para o Ribatejo?

Alívio. Apesar de estar longe daqueles que mais amo, sei que o fiz por mim. Precisava de colocar uma folha em branco na minha vida e escrever algo novo. Foi a melhor decisão que tomei até hoje. Claro, que conhecer o meu marido foi um bónus maravilhoso para esta tomada de decisão.


"Sinto que tive de me sentir excluída, de sentir que o mundo não era para mim e foi preciso ter andado numa busca constante."

Em criança gostava de ser advogada, depois formou-se como bailarina, já na universidade inscreveu-se em criminologia, acabando por ingressar na carreira militar. Todas estas mudanças influenciaram a escrita? No seu ponto de vista, sente que tinha de percorrer todo aquele caminho para chegar aqui?

Sinto que tive de me sentir excluída, de sentir que o mundo não era para mim e foi preciso ter andado numa busca constante, para me ajudar a dar valor ao que é realmente importante. E claro que todos os meus percursos são grande parte da minha inspiração. Eu já fui tanta coisa e tenho mil e uma histórias para contar. Tenho uma vida preenchida. Tenho a certeza de que aquilo que depender de mim, não haverá nada por viver. Tive de percorrer todo este caminho para hoje estar a falar com vocês.


Defina-se numa palavra.

Anticonformismo. (Arriscada, também seria uma boa escolha).


Neste momento, a sua profissão é inteiramente dedicada à escrita ou tem outros projetos?

O meu foco é a escrita e sim, estou inteiramente dedicada à escrita, mas sei gerir muito bem o meu tempo e isso permite-me ter outros projetos como: o teatro, podcast, as aulas de dança e yoga.


"A autodescoberta que fiz e ainda estou a fazer nem sempre é bonita ou fácil."

A 5 de Agosto começou o projeto “meninaescrivaninha”, o que a levou em primeiro lugar a começá-lo e depois renomeá-lo?

Gosto muito de frases motivadoras e decidi criar um para partilhar a minha opinião e visão sobre o mundo, ajudar os outros, motivar quem quer ser motivado, incentivar quem quer ser incentivado. Decidi renomeá-lo para deixar bem claro quem é a Sandra May.


Durante a adolescência e a fase jovem adulta passou por um processo pessoal que a deve ter marcado, o quanto a moldou?

Sim, passei por uma fase menos boa. Na verdade, super revoltada. Mas tive de crescer e perceber que se quero ver mudança no mundo, essa mudança tem de começar por mim. A autodescoberta que fiz e ainda estou a fazer nem sempre é bonita ou fácil. Tem dias que dói e que a culpa regressa, mas crescer é isto mesmo, não é verdade?


De alguma forma tenta chegar aos seus leitores através da sua história de vida?

Até a um certo nível, sim. O que eu tento fazer ao chegar aos meus leitores é transmitir boas energias, dizer que está tudo bem sentir o que eles sentem, que é permitido ser quem eles são, livres de culpa. Quero transmitir que a autodescoberta não é para quem está confuso mas sim para quem se quer conhecer por inteiro.


"Sinto que tenho de crescer emocionalmente, um pouco mais."

Nestes dois anos lançou três projetos distintos. Um ebook, um conto infantil e uma comédia romântica. Qual deles a tocou mais?

A comédia romântica. Foi o trabalho mais duro que tive de fazer. Diverti-me tanto. Emocionei-me ainda mais. E saber que está a ser tão bem recebido pelos leitores, deixa-me grata.


“Minha Querida Ansiedade” foi um ebook com um selo pessoal, sem dúvida, pretendia que de alguma forma ajudasse quem passa pelo mesmo?

Claro que sim. Um enorme SIM! Ter ansiedade é viver com um monstro numa sombra à espera de nos assustar. Não é fácil. Não é bonito. E eu tentei explicar com humor o que acontece comigo. Quero muito que respeitem a ansiedade e que sejam fortes o suficiente para perceber que a vida é muito mais que ataques de pânico. E que nós, ansiosos, não somos a nossa ansiedade. Apenas a abraçamos de uma forma mais significativa do que o resto do mundo e temos de aprender a largar.


O desenvolvimento pessoal é um género que gostava de explorar?

O meu primeiro livro que escrevi foi desenvolvimento pessoal, mas até hoje está na gaveta. Ainda não tenho coragem para pegar nele. Sinto que tenho de crescer emocionalmente, um pouco mais.


"Senti como se o mundo tivesse nas minhas mãos, pelo menos o meu mundo."

Como o conto “Herói Boa-Ação” entrou na sua vida? Gostava de voltar a criar uma história assim para os seus leitores?

O meu querido Herói Boa-Ação entrou por acaso na minha vida. Vi um anúncio de uma editora a incentivar a concorrer a contos infantis e decidi arriscar. Hoje temos o herói Rodrigo e a sua irmã Beatriz no mundo. Quero muito voltar a criar uma história assim mas desta vez tenho uma protagonista especial. Mas até lá, não posso dizer nada.


O quanto de si, do que passou e aprendeu está refletido nas suas histórias?

A esperança, os medos, as dúvidas e as aventuras, são muito minhas.


Este ano, em fevereiro lançou o seu primeiro romance, o que sentiu quando o teve nas mãos?

Senti como se o mundo tivesse nas minhas mãos, pelo menos o meu mundo. Adorei sentir o seu peso e folhear as folhas que eu escolhi. É o meu bebé mais especial.


"Eu sinto que dividi a minha personalidade em duas partes e criei a Lara e a Maria."

“Ainda Não é Desta” é uma história leve e impactante, o quanto as duas personagens principais tem de si?

Eu sinto que dividi a minha personalidade em duas partes e criei a Lara e a Maria. Dois polos que pertencem exatamente à mesma pessoa. Não existe uma sem a outra.


Neste momento, vê-se mais como Maria ou Lara?

Neste momento, sou muito Maria. Forte, determinada e descomplicada (esta última ainda estou a aprender).


Quanto demorou a escrever esta história? O que a motivou?

Três anos até tê-lo nas minhas mãos, mas foram quase dois a escrevê-lo. O restante tempo foi para revisão e as devidas etapas. Fui desafiada por uma camarada minha a escrever um romance e aqui está ele. Escrevi por pura diversão e agora tenho consciência que é o primeiro de muitos.


"A razão é o meu investimento em mim e na minha obra."

Sabemos que o “Ainda Não é Desta” é o primeiro de uma trilogia, o que podemos esperar?

A verdade. A trilogia do AND não é nada mais, nada menos, do que a vida real. Conheço e sei que a maioria dos jovens e adultos passam pelas peripécias que Lara enfrenta e dramatiza. Assim como sei que é essencial ter uma Maria nas suas vidas. Comédia, amor, dramas, problemas, dúvidas, sexo, autodescoberta e muito vinho.


Olhando para o seu percurso enquanto escritora, está arrependida de alguma decisão?

De ter tomado algumas decisões de forma precipitada.


“Ainda Não é Desta” é uma autopublicação, existe alguma razão por ter optado por essa via?

A razão é o meu investimento em mim e na minha obra. Eu nunca vou cruzar os braços, nem vou permitir que as minhas oportunidades dependam única e exclusivamente de alguém.


"Na maravilhosa expressão que nós no dia a dia dizemos."

De onde surgiu a ideia para o título?

Na maravilhosa expressão que nós no dia a dia dizemos quando estamos desiludidos com a vida: “Ainda não foi desta”.


Defina numa frase esta história.

O balde de água fria necessário para crescer.


Olhando para a sua história, mudaria alguma coisa?

Nem uma única vírgula.


"Senti-me amada e muito grata."

Vê o processo de autopublicação como uma mudança positiva em Portugal? Pondera lançar o resto da trilogia da mesma forma?

Eu estou a adorar todo o processo da autopublicação e para mim foi uma mudança muito positiva. E seguramente pode ser uma mudança positiva para os nossos escritores. O resto da trilogia será autopublicada.


O lançamento do livro foi organizado por si. Como foi ter a presença, o apoio das pessoas mais próximas presentes naquele dia?

Infelizmente, a minha família não conseguiu vir, mas apoiaram-me imenso. Ter as pessoas que tive, foi a prova de que foram as mais indicadas para partilhar comigo aquele evento e momento tão especial. Senti-me amada e muito grata.


Estava à espera do impacto que o seu livro iria ter nos leitores?

Eu sempre acreditei que o AND fosse ter impacto, mas não sabia que teria de uma forma tão rápida. Sinto que o AND foi uma brisa fresca para muitos leitores.


"Os novos autores devem ponderar todas as opções."

Curiosidade: Porque optou por não colocar bandanas no seu livro?

Não sou grande fã de bandanas. Mas é algo a investigar no próximo livro, junto aos leitores.


Na sua opinião, os novos autores deviam ponderar mais a autopublicação?

Os novos autores devem ponderar todas as opções. Não há caminhos certos ou errados. Há caminhos mais diretos que outros. Acho que os novos autores não devem ser castradores com o percurso e opções que possam vir a tomar.


Enquanto autora gostava de explorar outros géneros?

Claro, estou neste momento a escrever um thriller psicológico/policial.


"Eu crio as minhas próprias oportunidades."

No mercado editorial que existe hoje, será mais fiável o caminho da editora tradicional ou a autopublicação?

Acho que os dois caminhos são fiáveis quando a decisão é tomada com consciência e de forma individual. No fundo, o autor tem de se sentir bem e feliz.


Pondera colocar algum trabalho numa editora tradicional? O que gostaria de fazer que não vê uma editora tradicional fazer?

Seria hipócrita se disser que não. Claro que gostava mas neste momento estou mesmo feliz. Brevemente, vocês vão saber o que gostaria de fazer que não vejo nenhuma editora a fazer.


“Ainda Não é Desta”, que espera daqui para a frente? Tem algum projeto para ele, se sim, poderia nos falar um pouco desse processo.

Sim, tenho muitos projetos, mas ainda não posso revelar NADA! O único que talvez possa abrir mais jogo é no script que estou a trabalhar com um argumentista para enviarmos para a Netflix e isto, por nossa iniciativa. O não é sempre garantido mas como eu disse à pouco: eu crio as minhas próprias oportunidades.


"Estou a passar por uma autodescoberta e a trabalhar a minha inteligência emocional neste novo livro."

Neste momento está a trabalhar no triller psicológico. Como a ansiedade pode a influenciar na escrita? Consegue gerir as emoções?

Tenho muito a falar sobre essa relação ansiedade-escrita. Não é fácil e chega mesmo a ser doloroso. Quando um escritor mergulha na história, por vezes deixa de ser ele e passa a ser a personagem que cria e isso é desgastante emocionalmente. Estou a passar por uma autodescoberta e a trabalhar a minha inteligência emocional neste novo livro.


Que outros projetos têm em calha?

Vocês vão saber no tempo certo.


Gosta mais de escrever no silêncio ou com ruído?

Silêncio, sempre.


"A forma mais bonita de eu dar vida a tudo o que desejar."

Qual (Quais) são os autores que a inspiram?

Vou apenas anunciar autores portugueses: Tiago Rebelo.

Claro que tenho amigos escritores que me inspiram e apoiam e não posso de os deixar de referenciar: Bruno Pereira, Liliana Rodrigues Brito, Ana Salgueiro e Tânia Alexandra.


Para si a escrita é…

A forma mais bonita de eu dar vida a tudo o que desejar.


Lançou o seu conto infantil numa editora vanity, na sua opinião é uma solução para novos autores?

Todos temos de começar por algum lado, verdade?


"Não irei nunca castrar nenhum livro meu."

Em Portugal, sendo um país pequeno, como vê o crescimento de novos autores? Na sua opinião serão mais os que se veem como escritores ou fazem como hobbies?

Vejo muitos novos autores a aparecer e poucos a crescer. Isso assusta-me. Porque todos merecemos o nosso lugar, mas infelizmente são poucos aqueles que vão ter o merecido reconhecimento. Tenho receio que o percurso duro da literatura os atire para o hobbie. Quero muito que todos tenham carreira.


Sente que os autores se respeitam e ajudam mutuamente?

Sinto que eu escolhi os melhores autores para ter a meu lado. Em todas as áreas há competição mas eu não estou na escrita para ser melhor do que ninguém. Eu escrevo para ser a minha melhor versão e adoro ajudar novos autores a crescer. Dedico-me e apoio seriamente todos os que me procuram. Infelizmente, nem todos têm o mesmo pensamento.


Tem alguma “condição” especifica para com os seus livros?

Não irei nunca castrar nenhum livro meu. Cada livro é único e não imponho limites.


"Ajudar os autores e novos autores a aparecer."

Para quando pudemos esperar mais obras suas?

2023 e 2024 já estão programados para sair. Agora vamos ver se tudo corre como planeado.


Pondera continuar a lançar as suas obras na plataforma Wattpad em paralelo à publicação das mesmas?

É uma grande possibilidade.


Tem também um Podcast, Bom Livro, qual foi a primeira razão para criá-lo?

Ajudar os autores e novos autores a aparecer. Quero muito ajudar todas as pessoas.


"Neste caso, um ouvinte de cada vez."

Até onde quer levar este projeto?

O objetivo é conquistar um leitor de cada vez. Neste caso, um ouvinte de cada vez. Não tenho planos para este projeto. O que surgir é o que será.


Gostava de se internacionalizar?

Sem dúvida alguma.


Na sua opinião, as redes sociais são uma boa ferramenta para promover o seu trabalho?

A 100%. Grande parte das minhas vendas foi através das plataformas online.


"O nosso país ainda não valoriza as artes no geral."

E no caso das pessoas que não tem redes sociais, como as consegue alcançar para partilhar o seu livro?

Conceito do porta a porta e o passa a palavra. É infalível.


Como vê a maneira como tratam a profissão de autores em Portugal?

É desvalorizado. O nosso país ainda não valoriza as artes no geral.


O que acha na sua opinião que devia ser feito em Portugal para atrair mais leitores e de alguma forma promover mais os autores nacionais?

Talvez, devessem começar por mostrar tanto orgulho nos novos autores como mostram quanto aos autores dos clássicos.


"Sou grata por todas as oportunidades que vocês me dão."

O que espera daqui para a frente enquanto escritora?

Surpresas. Vai ser uma vida cheia de histórias para contar.


Deixe uma mensagem para os seus leitores:

Sou grata por todas as oportunidades que vocês me dão. Saber que vocês abraçam o AND da mesma forma que eu, é de louvar. Obrigada de coração.


"Não dependas de ninguém para te sentires realizado."

Deixe uma mensagem para novos autores:

Por casa pessoa que te der um não, desenha o teu sim. Não dependas de ninguém para te sentires realizado.


Deixe uma mensagem sobre o novo livro:

Nem todos os livros podem ser de grandes histórias, por vezes, só podem contar com a vida real.


Muito obrigada, “Entre Palavras”


As obras da Autora:



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