Manuel Seatra fala da obra "Raíz Densa no Pátio da Garganta"

"Sobre o tempo posso dizer que é bom não se ter pressa e deixar as águas correr consoante o que se escreve."

Olá, Manuel!

Antes demais os nossos parabéns pela vitória nos Prémios Literários referente à Categoria Poesia. Vamos saber mais sobre esta obra…


Do que nos fala “Raíz Densa no Pátio da Garganta”?

É um livro híbrido de poemas e prosa poética em três partes com muita Lisboa dentro, alguns sonhos e pedaços de espelho que se encontram a meio caminho. O Raiz Densa (como lhe chamo de modo abreviado e carinhoso) tem um significado forte para mim, uma carga de energia especial de que me orgulho.


Defina a sua obra numa palavra.

"Maturar" acho que pode ser a melhor palavra, pela responsabilidade de ser um segundo livro e pelo sentido de compromisso que isso implica.


Quanto tempo demorou o processo desta obra?

Não sei dizer com exatidão.

Houve um intervalo de dois anos entre o primeiro e o segundo, mas havia coisas a cozinhar antes e não há bem uma linha cronológica definida. Sobre o tempo posso dizer que é bom não se ter pressa e deixar as águas correr consoante o que se escreve.

Estou nos últimos preparativos de um terceiro livro que há de sair muito em breve e o processo partiu de um lugar mais mecanizado e cerebral, depois descontruiu-se, quando já o tinha lapidado.


"O único projeto é escrever e conjugar as palavras com a alma."

O que mais o marcou quando a escreveu?

A boémia, diria. É bom deixar respirar a noite e absorver a cidade à nossa volta. A escrita consegue ter muitos lugares dentro e não ter nenhum ao mesmo tempo, é mágico isso!


Existe algum projecto agregado a esta obra?

O "filho" anterior, o Dias de Folga, nem imaginava o nascimento deste irmão, nem o seguinte do que vier, se mais houver para lá disso... O único projeto é escrever e conjugar as palavras com a alma (ou vice-versa, na verdade não sei ao certo o que liga com quê).


De onde surgiu o título “Raíz Densa no Pátio da Garganta”?

Raiz Densa no Pátio da Garganta é um título comprido e difícil como algumas coisas que se têm a dizer, mas, ao invés, acabam por ser engolidas... Às vezes nem com muita água desce e pode entalar ou chegar ao sufoco, faz falta expor a raiz e libertar o que fica preso.


Se fosse hoje, mudaria algo na sua história?

Não mudava uma vírgula, o livro ficou cristalizado no seu tempo e agora é de quem o ler.


"Que tenham paciência e sejam generosos, que vivam com ternura e honestidade."

O que sentiu quando a obra chegou às mãos dos leitores?

Senti-me inchado de contente e nervoso.


Como recebeu a novidade de a sua obra estar nomeada aos nossos Prémios Literários e de ter vencido na Categoria Poesia?

O mesmo e também esperançoso de angariar mais leitores, é um gosto ser lido e ter sido votado a ponto de vencer!


O que gostava de dizer aos leitores que acompanham o seu trabalho?

Que tenham paciência e sejam generosos, que vivam com ternura e honestidade. Mais do que sermos grandes leitores é sermos melhores pessoas, sairmos do nosso umbigo e sabermos viver em sociedade. Quanto aos meus livros, enquanto for respirando com saúde vou escrevendo e apagando, muito de ambos, quem ganha no fim são os livros.


Muito obrigada, Cristina “Entre Palavras”


Obra Vencedora:


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