Liliana R. Brito - Para si a escrita é... desafiante!

"Ao longo da minha adolescência algumas professoras diziam que tinha jeito para a escrita."

Olá, Liliana!

Muito obrigada por ter aceitado participar desta entrevista, espero que se divirta.

Vamos a isso…


Quem é a Liliana R. Brito?

A Liliana é mulher e é uma eterna sonhadora. É mãe, é teimosa, é sensível, é humana, é amiga, é leal, é preguiçosa, é comilona, é resiliente, é medricas e destemida ao mesmo tempo.


Sempre foi movida a ser escritora? Como as palavras entraram na sua vida?

Não. A escrita embora sempre presente pelos diários e textos em cadernos, nunca foi algo que almeja-se. Contudo, ao longo da minha adolescência algumas professoras diziam que tinha jeito para a escrita e tinha amigas que me incentivavam.


O que a inspira? O que a move?

A vida.


"Um modo de mostrar o meu afecto, de sentirem o meu abraço."

Quando se senta em frente a uma página em branco o que sente?

Sinto que tenho uma possibilidade infinita de criar histórias.


Lançou o livro Gabriel 120419 em 2019, durante este tempo ainda não lançou mais nenhum, foi opção?

Não. Foi apenas falta de tempo e muitos projectos a surgirem ao mesmo tempo.


O facto de gostar do tema holocausto influenciou com que a história tivesse esse tema como fundo?

Sim, influenciou. O Holocausto é acontecimento que mexe muito com o meu ser, então quando escrevi a história do GABRIEL 120419, senti que era uma boa oportunidade de homenagear as vítimas que pereceram e as que sobreviveram. Um modo de mostrar o meu afecto, de sentirem o meu abraço.


"Através das páginas do meu livro eu podia dar vida ao filho que tanto queria ter."

Este livro tem um cunho demasiado pessoal que as pessoas não se apercebem. Como foi dar vida a este Gabriel?

Foi um processo muito emotivo. Tanto pelo local onde foi contextualizado como referi acima, como por ser também uma homenagem ao bebé que supostamente me tinha sido diagnosticado não me ser possível ter, o Gabriel.


Como o facto do que passou para ter o seu filho, quando lhe disseram que era impossível, como ganhou forças para escrever uma história assim?

Quando surgiu a oportunidade de escrever o livro, foi algo que me veio à mente de imediato. Senti apenas que era uma maneira de o eternizar. Através das páginas do meu livro eu podia dar vida ao filho que tanto queria ter.


Estava à espera do impacto que teve nos leitores?

Confesso que não. Quando um leitor me lê e diz que se emocionou com a história do Gabriel, ainda me parece mentira. Fico tipo, caramba, eu consegui mexer com o coração de alguém com as minhas palavras. Isso é mágico e muito gratificante.


"Vem aí a continuação do GABRIEL 120419."

Defina esta história numa palavra.

Amor.


Se fosse hoje e já tivesse sido mãe, como imaginaria esta história?

Não sei sinceramente. Mas vem aí a continuação do GABRIEL 120419.


Frequentou a escola de arqueologia, depois faculdade de direito e acabou a escrever. Como a sua família viu esse caminho?

Aceitou bem, penso eu. Quando era mais nova era muito impulsiva, agora que fui mãe acalmei. O nunca ter deixado de trabalhar, desde cedo, também os tranquilizou.


"A criatividade, imaginação está sempre presente, mas eu quero sempre deixar algo meu."

O quanto de si e do seu percurso influenciará os seus livros?

Muito. Nos meus livros encontraram sempre cunhos pessoais. Sejam meus, sejam de vidas que vi à distância ou experiências que partilharam comigo. A criatividade, imaginação está sempre presente, mas eu quero sempre deixar algo meu.


Imagina-se a caminhar nesta carreira que é contar histórias?

Sem dúvida. Vamos lá ver se consigo.


Defina-se numa palavra.

Humana.


"Sim, quando o quis traduzir para inglês foi com esse intuito."

Gabriel 120419 é um conto, nunca pensou em desenvolvê-lo para livro?

Está em processo de escrita. No início era para ficar apenas como conto, mas o feedback dos leitores tem sido muito positivo e pedem mais do GABRIEL 120419.


Publicar o seu conto na plataforma Amazon tanto em português como em inglês, acredita que seja uma forma de se internacionalizar? É essa a sua vontade, atravessar fronteiras?

Sim, quando o quis traduzir para inglês foi com esse intuito. O livro existe no Brasil, em Angola, Moçambique e Cabo Verde, mas o objectivo é mesmo internacionalizar ainda mais as minhas obras.


Olhando para trás, mudava alguma coisa na sua história?

Não. A história como disse foi-me muito pessoal e muito sentida, mudar retiraria toda a essência da mesma.


"Não era para ser nada sério, mas tem corrido bem."

Quanto tempo levou a escrever o conto?

Uma semana. Iniciei a dia 12 de Abril e terminei no dia 19 de Abril de 2019.


Lançou Gabriel 120419 através da Chiado Books, que é uma das maiores editoras, tenciona continuar pelo mesmo caminho?

Não sei. Vai dependendo das propostas que forem aparecendo e do que me faz sentido no momento.


Como é que o mundo da pintura se introduziu no mundo da escrita?

Foi uma brincadeira com uma amiga aqui do bookstagram. Não era para ser nada sério, mas tem corrido bem.


"Sinto que é um assunto pouco valorizado e respeitado, infelizmente."

Neste momento, além da pintura e escrita, o que mais se vê a fazer? Em que área trabalha?

Sou administrativa num departamento jurídico. Faço para além das escrita e pintura, algumas peças de macramé. Todos os dias são dias novos e quiçá de descoberta. Estou sempre aberta a novas experiências, o tempo é que já se torna apertado.


Até onde quer levar a sua história? Tem algum projeto agregado a ela?

A todos os leitores quantos me forem permitidos. O segundo livro é uma projecto agregado a ele que está a ser muito trabalhoso.


Sente que o trabalho como escritor/a ainda é um assunto em desenvolvimento em Portugal?

Sinto que é um assunto pouco valorizado e respeitado, infelizmente. Existem poucas oportunidades. Mas acaba por ser algo comum a todas as artes no nosso país.


"Explorar vários nichos e perceber que tipo de escritora sou."

Publicou numa editora Vanity, na sua opinião sente que os novos autores são menos apoiados quando o fazem?

Sim, em termos de divulgação e publicidade, não é uma editora que possa parabenizar. E depois existe por parte dos leitores algum preconceito, descabido a meu ver, por parte dos leitores. O meio editorial ao escritor diz respeito e a ninguém mais. Relativamente ao seu trabalho, óbvio. Ao leitor cabe apreciar as capas, a escrita do autor e deixar-se levar pela história. Gostar , deixar-se sentir. Ou não. Agora se o autor tem ou não apoio, se a editora é boa ou má para ele é um pouco irrelevante para o leitor. É maravilhoso sentir que o leitor apoia o escritor e o defende, mas muitas vezes prejudicam mais do que apoiam. Quando fazem uma crítica ao autor mesmo que tendo como pano de fundo a editora, o que o outro leitor vai pensar é: ok o livro é uma caca pois a editora também o é. O autor não é a sua editora! Desfrutem a leitura, prestigiem o autor se gostarem do mesmo e deixem para o autor a sua “luta” com as editoras. Assim apoiam a arte em Portugal e não correm o risco de influenciar de modo negativo (devido à editora por trás) futuros leitores.


Enquanto escritora que outros géneros gostaria de explorar?

Quero explorar romances, thrillers, fantasia e a maternidade. Sou nova autora então quero ver o que mais “gozo” me dá escrever. Explorar vários nichos e perceber que tipo de escritora sou.


"Vai fugir um bocadinho ao cliché habitual."

Está a desenvolver um romance com o título “Talvez um Dia”, pode-nos dar alguma informação do que esperar? Quando sairá?

Sairá provavelmente em 2023, se tudo der certo. Posso apenas adiantar que é mais um livro com cunho pessoal e que acredito que para quem goste de romances seja interessante. Vai fugir um bocadinho ao cliché habitual.


Qual (Quais) são os seus autores favoritos e as obras?

Existem alguns, mas de momento gosto muito da escrita da Colleen Hoover, Joel Dicker e claro, o eterno Nicholas Sparks. Não fosse eu uma romântica incurável.


Gosta mais de escrever no silêncio ou com ruído? Tem algum local favorito para o fazer?

No silêncio. Mas se for ruído de carros na rua a passar, passarinhos a cantar ou musica ambiente, escrevo sem problema.


"O meu livro tem a visibilidade que tem devido à divulgação nas redes sociais."

Gostava de tentar a autopublicação?

A única coisa que me deixa mais reticente na auto publicação é o facto de ser mais difícil chegar ás livrarias. Portanto, por enquanto livros (romances) não. Contos esporádicos sim, vou publicando na Amazon, como fiz com o conto “ A Magia do Natal”.


Como vê em Portugal a relação de editora/autor? O que acha que devia ser feito que ainda não foi?

Acredito que deveria ser um pouco mais como é no estrangeiro. Uma ligação mais directa entre os dois. As editoras que querem abraçar vários autores deviam ter um editor para x autores e não quererem toda uma “salganhada”, em que depois os autores ficam ali um pouco perdidos.


Na sua opinião, as redes sociais são uma boa forma de divulgar o seu trabalho?

Sem dúvida. O meu livro tem a visibilidade que tem devido à divulgação nas redes sociais.


"O objectivo é abraçar como carreira e conseguirmos ser felizes a fazer o que amamos."

Como chega às pessoas que não tem redes sociais?

Apresento o meu livro quando as conheço, recorro a eventos em livrarias, coffe shops entre outros.


Na sua opinião os autores ajudam-se mutuamente?

Sim, existe uma entre ajuda muito enriquecedora entre os novos autores. Tenho um grupinho muito unido de novos autores em que nos apoiamos sempre que necessário. Depois é como tudo, existem autores que assim que têm mais visibilidade acabam por não dar tanta atenção aos outros. Os egos crescem. Mas não faz mal, existem sempre outros e nunca estamos sozinhos.


Sendo Portugal um país pequeno com um crescimento de autores, na sua opinião, muitos abraçam esta carreira ou acabam por fazer um hobbie?

Ser escritor em Portugal não é fácil. Nenhuma arte é fácil em Portugal, na verdade. E muitos acabam por apenas viver delas como hobbie. Contudo, o objectivo é abraçar como carreira e conseguirmos ser felizes a fazer o que amamos.


"Somos pessoas, merecemos ser tratados como tal."

Tem alguma “condição” especifica para com os seus livros?

Que transmitam sempre uma mensagem ao leitor.


No mercado editorial que existe hoje, será mais fiável o caminho da editora tradicional ou a autopublicação?

Tradicional é sempre mais fiável seja financeiramente, seja em visibilidade. Contudo, auto publicação também é uma opção, apenas mais trabalhosa como é nas vanities.


O que gostaria de fazer que não vê uma editora tradicional fazer?

Dar real apoio aos autores portugueses. Ter uma equipa para ler de facto os manuscritos enviados, fazerem uma justa avaliação e darem-se ao trabalho de responder aos emails de modo pessoal e não apenas com respostas automáticas. Assim como darem sempre resposta. Existem muitas pessoas a precisar de trabalho, não se justifica a relação impessoal hoje em dia. Somos pessoas, merecemos ser tratados como tal.


"Volto a frisar, os autores não são as suas editoras."

Que outros projetos tem na manga?

Mais livros para chegar aos vossos corações. Existem pelo menos mais quatro livros em processo de escrita para além do romance "TALVEZ UM DIA".


Para si a escrita é…

Desafiante!


Como vê a maneira como tratam a profissão de autores em Portugal?

Não vejo, esse é o problema. Fala-se muito pouco dos autores. Principalmente novos autores. Se forem de vanities, então… volto a frisar, os autores não são as suas editoras.


"Fazerem mais eventos literários e concursos."

O que acha na sua opinião que devia ser feito em Portugal para atrair mais leitores e de alguma forma promover mais os autores nacionais?

Os preços serem mais acessíveis. Apostarem em novos autores. Fazerem mais eventos literários e concursos.


O que espera daqui para a frente enquanto escritora?

Continuar a trazer-vos bons livros.


"Continua a escrever e não leves tudo o que te dizem para o coração."

Deixe uma mensagem para quem a segue:

Obrigada por me continuarem a acompanhar neste percurso nem sempre fácil mas muito gratificante. Obrigada pelo apoio, críticas construtivas, sorrisos e por se emocionarem com as minhas palavras.


Deixe uma mensagem para os novos autores:

Continua a escrever e não leves tudo o que te dizem para o coração. Se uma só pessoa ler e gostar do teu livro, já valeu a pena. Continua!


Deixe uma mensagem sobre o seu novo livro:

TALVEZ UM DIA, venhas a sentir um amor assim.


Muito obrigada, “Entre Palavras”


Obras da Autora:
















33 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo