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Liliana R. Brito - Para si a escrita é... desafiante!

Atualizado: 11 de nov. de 2022

"Ao longo da minha adolescência algumas professoras diziam que tinha jeito para a escrita."

Olá, Liliana!

Muito obrigada por ter aceitado participar desta entrevista, espero que se divirta.

Vamos a isso…


Quem é a Liliana R. Brito?

A Liliana é mulher e é uma eterna sonhadora. É mãe, é teimosa, é sensível, é humana, é amiga, é leal, é preguiçosa, é comilona, é resiliente, é medricas e destemida ao mesmo tempo.


Sempre foi movida a ser escritora? Como as palavras entraram na sua vida?

Não. A escrita embora sempre presente pelos diários e textos em cadernos, nunca foi algo que se almeja. Contudo, ao longo da minha adolescência algumas professoras diziam que tinha jeito para a escrita e tinha amigas que me incentivavam.


O que a inspira? O que a move?

A vida.


"Um modo de mostrar o meu afeto, de sentirem o meu abraço."

Quando se senta em frente a uma página em branco o que sente?

Sinto que tenho uma possibilidade infinita de criar histórias.


Lançou o livro Gabriel 120419 em 2019, durante este tempo ainda não lançou mais nenhum, foi opção?

Não. Foi apenas falta de tempo e muitos projetos a surgirem ao mesmo tempo.


O facto de gostar do tema holocausto influenciou com que a história tivesse esse tema como fundo?

Sim, influenciou. O Holocausto é acontecimento que mexe muito com o meu ser, então quando escrevi a história do GABRIEL 120419, senti que era uma boa oportunidade de homenagear as vítimas que pereceram e as que sobreviveram. Um modo de mostrar o meu afeto, de sentirem o meu abraço.


"Através das páginas do meu livro eu podia dar vida ao filho que tanto queria ter."

Este livro tem um cunho demasiado pessoal que as pessoas não se apercebem. Como foi dar vida a este Gabriel?

Foi um processo muito emotivo. Tanto pelo local onde foi contextualizado como referi acima, como por ser também uma homenagem ao bebé que supostamente me tinha sido diagnosticado não me ser possível ter, o Gabriel.


Como o facto do que passou para ter o seu filho, quando lhe disseram que era impossível, como ganhou forças para escrever uma história assim?

Quando surgiu a oportunidade de escrever o livro, foi algo que me veio à mente de imediato. Senti apenas que era uma maneira de o eternizar. Através das páginas do meu livro eu podia dar vida ao filho que tanto queria ter.


Estava à espera do impacto que teve nos leitores?

Confesso que não. Quando um leitor me lê e diz que se emocionou com a história do Gabriel, ainda me parece mentira. Fico tipo, caramba, eu consegui mexer com o coração de alguém com as minhas palavras. Isso é mágico e muito gratificante.


"Vem aí a continuação do GABRIEL 120419."

Defina esta história numa palavra.

Amor.


Se fosse hoje e já tivesse sido mãe, como imaginaria esta história?

Não sei sinceramente. Mas vem aí a continuação do GABRIEL 120419.


Frequentou a escola de arqueologia, depois faculdade de direito e acabou a escrever. Como a sua família viu esse caminho?

Aceitou bem, penso eu. Quando era mais nova era muito impulsiva, agora que fui mãe acalmei. O nunca ter deixado de trabalhar, desde cedo, também os tranquilizou.


"A criatividade, imaginação está sempre presente, mas eu quero sempre deixar algo meu."

O quanto de si e do seu percurso influenciará os seus livros?

Muito. Nos meus livros encontraram sempre cunhos pessoais. Sejam meus, sejam de vidas que vi à distância ou experiências que partilharam comigo. A criatividade, imaginação está sempre presente, mas eu quero sempre deixar algo meu.


Imagina-se a caminhar nesta carreira que é contar histórias?

Sem dúvida. Vamos lá ver se consigo.


Defina-se numa palavra.

Humana.


"Sim, quando o quis traduzir para inglês foi com esse intuito."

Gabriel 120419 é um conto, nunca pensou em desenvolvê-lo para livro?

Está em processo de escrita. No início era para ficar apenas como conto, mas o feedback dos leitores tem sido muito positivo e pedem mais do GABRIEL 120419.


Publicar o seu conto na plataforma Amazon tanto em português como em inglês, acredita que seja uma forma de se internacionalizar? É essa a sua vontade, atravessar fronteiras?

Sim, quando o quis traduzir para inglês foi com esse intuito. O livro existe no Brasil, em Angola, Moçambique e Cabo Verde, mas o objetivo é mesmo internacionalizar ainda mais as minhas obras.


Olhando para trás, mudava alguma coisa na sua história?

Não. A história como disse foi-me muito pessoal e muito sentida, mudar retiraria toda a essência da mesma.


"Não era para ser nada sério, mas tem corrido bem."

Quanto tempo levou a escrever o conto?

Uma semana. Iniciei a dia 12 de Abril e terminei no dia 19 de Abril de 2019.


Lançou Gabriel 120419 através da Chiado Books, que é uma das maiores editoras, tenciona continuar pelo mesmo caminho?

Não sei. Vai dependendo das propostas que forem aparecendo e do que me faz sentido no momento.


Como é que o mundo da pintura se introduziu no mundo da escrita?

Foi uma brincadeira com uma amiga aqui do bookstagram. Não era para ser nada sério, mas tem corrido bem.


"Sinto que é um assunto pouco valorizado e respeitado, infelizmente."

Neste momento, além da pintura e escrita, o que mais se vê a fazer? Em que área trabalha?

Sou administrativa num departamento jurídico. Faço para além das escrita e pintura, algumas peças de macramé. Todos os dias são dias novos e quiçá de descoberta. Estou sempre aberta a novas experiências, o tempo é que já se torna apertado.


Até onde quer levar a sua história? Tem algum projeto agregado a ela?

A todos os leitores quantos me forem permitidos. O segundo livro é uma projeto agregado a ele que está a ser muito trabalhoso.


Sente que o trabalho como escritor/a ainda é um assunto em desenvolvimento em Portugal?

Sinto que é um assunto pouco valorizado e respeitado, infelizmente. Existem poucas oportunidades. Mas acaba por ser algo comum a todas as artes no nosso país.


"Explorar vários nichos e perceber que tipo de escritora sou."

Publicou numa editora Vanity, na sua opinião sente que os novos autores são menos apoiados quando o fazem?

Sim, em termos de divulgação e publicidade, não é uma editora que possa parabenizar. E depois existe por parte dos leitores algum preconceito, descabido a meu ver, por parte dos leitores. O meio editorial ao escritor diz respeito e a ninguém mais. Relativamente ao seu trabalho, óbvio. Ao leitor cabe apreciar as capas, a escrita do autor e deixar-se levar pela história. Gostar, deixar-se sentir. Ou não. Agora se o autor tem ou não apoio, se a editora é boa ou má para ele é um pouco irrelevante para o leitor. É maravilhoso sentir que o leitor apoia o escritor e o defende, mas muitas vezes prejudicam mais do que apoiam. Quando fazem uma crítica ao autor mesmo que tendo como pano de fundo a editora, o que o outro leitor vai pensar é: ok o livro é uma caca pois a editora também o é. O autor não é a sua editora! Desfrutem a leitura, prestigiem o autor se gostarem do mesmo e deixem para o autor a sua “luta” com as editoras. Assim apoiam a arte em Portugal e não correm o risco de influenciar de modo negativo (devido à editora por trás) futuros leitores.


Enquanto escritora que outros géneros gostaria de explorar?

Quero explorar romances, thrillers, fantasia e a maternidade. Sou nova autora então quero ver o que mais “gozo” me dá escrever. Explorar vários nichos e perceber que tipo de escritora sou.


"Vai fugir um bocadinho ao cliché habitual."