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Bruno Pereira - Para si a escrita é... ser mais, estar envolvido em muitos mundos...

Atualizado: 11 de nov. de 2022

"Nem sei se descobrimos quem somos a cem por cento durante o tempo que estamos por cá."

Olá, Bruno!

Desde já agradecemos por ter aceitado o convite para esta entrevista e dar-nos a conhecer um pouco mais de si.

Vamos lá…


Quem é o Bruno Pereira?

O Bruno Pereira é um jovem (apesar de estar a chegar aos 40) que tem gostos totalmente normais (estar com os amigos, ir ao cinema, ler, conhecer novos lugares…) mas que, apesar de tudo, ainda se está a descobrir. Nem sei se descobrimos quem somos a cem por cento durante o tempo que estamos por cá.


Como a escrita entrou na sua vida?

Sempre gostei de escrever. Desde os tempos da escola que comecei a escrever uns textos. Agora, a sério, provavelmente nos meus dezoito anos quando comecei a debruçar-me mais sobre a poesia.


Sempre teve vontade de ser escritor?

Sempre tive vontade de escrever. Até um certo momento da minha vida nunca pensei que ia editar um livro e agora, talvez, não o fizesse. Editei o “Fragmentos” em 2006 e se o voltasse a escrever mudaria quase tudo, faz parte do amadurecimento e do crescimento enquanto escritor.


"Através de uma imagem é possível imaginar e contar uma história e isso é algo que me dá prazer em fazer."

Onde vai buscar a sua inspiração? O que o move?

Uma das coisas que mais me inspira são fotografias. Através de uma imagem é possível imaginar e contar uma história e isso é algo que me dá prazer em fazer. Mas várias situações reais também me servem de inspiração, não que sejam diretamente comigo ou com alguém que eu conheça, mas há assuntos que me inspiram e que devem ser abordados. Agora se falar sobre a inspiração do “Quietos” aí já teria de falar de filmes de terror e dos livros do King. Por fim, se falarmos de literatura fantástica nem sei dizer…recordo-me que para o “Éden” que surgiu em 2010, a parte das batalhas fui beber algum sumo ao Dragon Ball (fui viciado na série).


Já alguma vez se sentiu perdido em frente a uma página em branco? Como contorna?

Já. Há dias em que não consigo escrever e não faz mal, acho natural. Não gosto de forçar a inspiração. Nesses dias desligo o computador e vou dar uma volta para limpar a cabeça ou, então, faço revisão do que escrevi até esse momento.


Sendo licenciado em ciências da comunicação, acha que é uma mais-valia para se conseguir conectar aos seus leitores?

Não. Talvez ter feito teatro me ajude mais. O que eu faço em termos de jornalismo trata-se de uma colaboração com um jornal regional na parte desportiva. Sempre gostei mais de jornalismo escrito. Acho que uma mais valia é conseguirmos criarmos empatia, sermos divertidos, acessíveis…assim, de cabeça, logo dois exemplos que têm tido sucesso: M.G. Ferrey e Andreia Ramos.


"Estou neste momento a trabalhar em algo do género apesar de não ter tanta fantasia."

Exerce profissão na sua área? Como consegue conciliar a escrita, as funções como técnico superior e ser coordenador do grupo Tâmegar Teatro?

O grupo de teatro terminou em 2020, foram dez anos de muitas histórias, mas era o momento certo. Eu trabalho no Município na área da Cultura que é, acho eu, a minha cara. Depois também treino miúdos no clube de futebol, o Mondinense. Mas eu consigo conciliar tudo perfeitamente, os treinos são ao final da tarde e a escrita, quando acontece, é sempre depois de jantar.


Começou a sua carreira literária em 2006 com a obra “Fragmentos”, foi coautor de “Cruzamentos” em 2007, em 2013 veio a obra “(Im)Perfeito”, depois “O Livro oculto da Paixão e Outras Temáticas Post Liber”. Qual a obra que o marcou mais e porquê?

Apesar de ter dito que se pudesse mudava tudo, a obra que mais me marcou foi o “Fragmentos” por ser a primeira e porque teve um valor sentimental, teve uma dedicatória ao meu avô materno que tinha falecido no ano anterior. Agora, se me perguntares qual é a minha favorita: o C.I.N.C.O, sem dúvida nenhuma.


Pelo meio aventurou-se na literatura fantástica, nascendo “Éden-reinado dos céus” em 2009, o que o motivou a criar esta história?

Adoro literatura fantástica, novos mundos. Estou neste momento a trabalhar em algo do género apesar de não ter tanta fantasia. Mas tenho a ideia e espero reeditar o Éden porque ficou sem continuação na altura e agora sinto-me preparado para dar o final que a história merece.


"E é mesmo uma necessidade, como um desabafo que preciso arrancar da garganta."

O seu percurso de vida de alguma forma moldou-o na sua forma de escrever?

Sem dúvida. Há muito de mim no que escrevo, principalmente nos contos de romance.


Sempre teve algum gosto em particular para a poesia?

Sim, principalmente por causa de Florbela Espanca. E é mesmo uma necessidade, como um desabafo que preciso arrancar da garganta.


Por que optou por pausar a sua carreira de escritor durante seis anos?

Senti, na altura, um pouco o que sinto agora, uma certa desmotivação, acaba por ser uma batalha ingrata e se algo me deixa mesmo frustrado é verem serem negadas oportunidades a pessoas que eu conheço que escrevem muito bem. Só que neste momento afeta-me menos que naquele período temporal. Eu nunca parei de escrever apenas não publicava até que surgiu o C.I.N.C.O e achei que era o momento certo até porque agora com a força das redes sociais também podemos tentar fazer mais por nós porque a divulgação das editoras não é suficiente.


"O C.I.N.C.O não é só de poesia, tem, também, muitos textos curtos."

Em 2020 lançou a sua mais recente obra C.I.N.C.O também dedicado à poesia, como foi voltar a escrever e a publicar uma obra?

O C.I.N.C.O não é só de poesia, tem, também, muitos textos curtos. Eu digo que é o meu livro de transição, a poesia publicada em livro terminou (mas nunca posso dizer nunca) e virei-me para outros caminhos. Publicar a obra foi um sentimento de grande alegria porque já sentia falta e porque gostei muito do resultado final.


Durante os seis anos que teve ausente trabalhou em projetos que possamos esperar?

Não, o que mais fiz foi guiões para o Tâmegar Teatro. O planeamento de tudo o que tenho planeado para os próximos tempos começou durante a pandemia.


Defina C.I.N.C.O numa palavra.

Mudança.


"Disseram-me que o que eu escrevo é real, que consigo transmitir a mensagem do texto e só posso ficar contente por isso."

O quanto de si está retratado nas suas histórias?

Muito. Sentimentos que já tive e tenho, coisas que me aconteceram que, se calhar, conto de outra forma para não ser tão perceptível. Mas não é tudo meu, também consigo criar “uma personagem” e imaginar as dores dela.


“Vista Paraíso” é uma curta história que tocou os leitores, gosta desse género de histórias que atingem os leitores em poucas palavras?

Sim, sem dúvida. Aliás, o meu feed por norma é composto por esse tipo de histórias. Cada vez menos poesia e mais deste tipo de textos. O “Vista Paraíso” faz parte de um conjunto de textos que quero editar, mas ainda não sei bem como vou fazer. Mas é engraçado ver as formas como estas histórias tocam as pessoas. Disseram-me que o que eu escrevo é real, que consigo transmitir a mensagem do texto e só posso ficar contente por isso.


Sendo o Bruno um autor versátil, gostava de explorar mais géneros literários?

Além da poesia, contos mais curtos de romance e de terror e literatura fantástica, o meu objetivo é mesmo escrever um romance, mas ainda não me sinto pronto porque este tipo de histórias é difícil de contar sem cair em clichés. Também tenho uma história de ficção científica preparada, mas essa só para o Wattpad. No fundo, gosto de escrever sobre várias coisas e se estou numa altura da vida em que, por exemplo, os contos de terror estão a sair-me bem, aposto nisso, mas não consigo limitar-me a um estilo.


"Não consigo me catalogar em nenhum género."

Como a saga “Quietos” entrou na sua vida?

Eu tinha um grupo de teatro e tínhamos dois manequins que seriam usados na peça. A pandemia acabou por cancelar a peça e eu levei os manequins para casa. Houve um evento online em que os escritores tinham de escrever um conto de terror na própria noite, olhei para eles e…surgiu. Acho que também me fizeram lembrar os weeping angels do Dr.Who que são das cenas que mais me arrepiam na série.


O género suspense/terror é um género mais cativante para si do que a poesia?

Talvez seja mais cativante escrever, mas também posso sentir-me assim porque o feedback do Quietos foi muito maior do que do último livro de prosa/poesia que editei. Porém, escrever poesia mais do que ser cativante é, para mim, uma necessidade.


Que género de autor se considera?

Talvez como disseste em cima: versátil. Não consigo me catalogar em nenhum género.


"Talvez não me precipitasse tanto na ânsia de querer editar."

Defina “Quietos” numa palavra.

Inquieto.


Tem algum projeto ligado a “Quietos” que possamos contar futuramente?

Sem dúvida. É o projeto que tenho mais próximo. O “Quietos” não é livro, mas quero que seja, estou a trabalhar e a juntar as três partes em um livro e editar em 2023.


Olhando para o seu percurso mudava alguma coisa? E nas suas obras?

Talvez não me precipitasse tanto na ânsia de querer editar. Mas quando somos novos e é um sonho…


"Adorava internacionalizar-me e acho que o livro do Quietos podia resultar."