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Bruno Correia - Para si a escrita é... terapêutico e relaxante.

Atualizado: 11 de nov. de 2022

"Uma pessoa calma, alegre e 100% introvertida, mas sempre pronta para novas amizades."


Olá, Bruno!

Desde já, muito obrigada por ter aceitado partir nesta aventura connosco.

Vamos a isso…


Quem é o Bruno Correia?

É uma pessoa que tem esperança de que, embora tenha tido várias razões para o desmotivar, o mundo possa melhorar e ser um sítio melhor. Uma pessoa calma, alegre e 100% introvertida, mas sempre pronta para novas amizades. Ele gosta mais de ouvir os outros do que falar de si próprio e que ajuda os outros, mesmo quando ninguém pede.


Como a escrita entrou na sua vida?

Eu comecei a escrever nas composições que tínhamos de fazer para as aulas e acordos de Português. Desde aí sempre vi que gostava de escrever, embora a minha letra deixasse muito a desejar. Mas seriamente pensei em escrever o livro no 8º ano quando o meu professor de Português sugeriu um projeto de tema livre. Enquanto muitos colegas pensaram em fazer vídeos e danças parvas e eu decidi juntar as minhas composições todas num ficheiro. O professor até que gostou, mas infelizmente todos gozaram comigo com isso porque na altura já estava no meu 4º ano consecutivo a sofrer bullying pela turma toda.


Onde vai buscar a inspiração? O que o move?

A minha inspiração inicialmente surgiu de uma mistura de Fantastic 4, Os Incríveis e Digimon. Depois gradualmente tem sido um pouco de tudo: jogos; músicas; filmes; livros; séries e animes.


"Do dia para a noite o mundo pode dar à nossa vida uma volta de 180º graus."

Sempre foi uma ambição escrever?

Cada composição que fazia deu-me cada vez mais gosto de as fazer. Eu lia os livros na biblioteca e sonhava um dia ter uma história minha naquelas estantes.


Em jovem, infelizmente passou por alguns obstáculos, como isso o moldou?

Como já falei, sofri bullying desde o 5º ao 8º ano, por isso foram 4 anos infernais para mim. Isso fez-me ter mais cuidado a quem dou a minha confiança porque já muitas vezes ma partiram e humilharam sem eu poder fazer nada. Depois de acabar a escola, muitos dizem que arranjam o seu primeiro emprego, outros vão para a universidade. Eu apanhei cancro. Agora está tudo bem, vai fazer 7 anos dia 24/04, mas foi assustador no início. Isso fez-me perceber que não temos todo o tempo do mundo, que do dia para a noite o mundo pode dar à nossa vida uma volta de 180º graus.


Já lhe aconteceu, estar a olhar o computador e sentir-se perdido na sua imaginação?

Imensas vezes! Quando isso me acontece, o melhor que faço é parar de escrever um pouco e ir descontrair a cabeça com outra coisa. Eventualmente esse bloqueio vai desaparecer. Agora se obrigo a que saia algo com esse bloqueio, não sai nada e se, eventualmente, sair algo, acabo por não gostar e apago.


"É uma frase tão simples, mas que para mim é o melhor que me podem dizer."

Está a trabalhar na Saga As Joias Mágicas, sendo que lançou o primeiro em 2020, como foi a criação deste mundo?

Todos nós temos as nossas brincadeiras quando somos pequenos. As nossas aventuras imaginárias. Mas quando avançamos para o 2º ciclo da escola temos novos amigos e esquecemos essas brincadeiras. Eu como sofri de bullying continuei nas minhas brincadeiras e elas foram crescendo comigo até ao ponto de conseguir escrever livros sobre isto.


O facto de o personagem principal chamar-se Bruno, foi propositado?

Claro, minhas brincadeiras, tinha de ter uma personagem chamada Bruno. Quando pensei seriamente em publicar quis mudar o nome, mas não me parecia correto. Não parecia o mesmo. Não sei, algo faltava quando mudava o nome. Por isso manteve-se Bruno. Gosto de ver aquele Bruno Lino como um Bruno igual a mim, mas de uma realidade alternativa.


Estava à espera do impacto que esta história teve sobre os leitores?

Honestamente não. Diz-se que o maior crítico das nossas criações somos nós próprios e eu nunca achei que a minha história fosse boa como as pessoas dizem. A minha amiga Ana é que me incentivou a escrever do início ao fim e o entusiasmo e gosto dela pelo livro me deu inspiração para continuar a escrever e querer publicar. Quando o publiquei, não pensei que houvesse muita gente a gostar, mas tive. Fico contente cada vez que me dizem “estou à espera do 2º”. É uma frase tão simples, mas que para mim é o melhor que me podem dizer.


"Um bocado spoiler aqui, mas passei a minha experiência do bullying para o livro."

Quanto tempo demorou a escrever o primeiro livro?

De seguida levei 2 anos de 2015 a 2017. Se formos ver em termos de total. Eu comecei a escrever em 2010 para aquele projeto de Português, mas fui tão criticado e gozado pelos meus colegas que nunca consegui pegar no livro. Cada vez que o abria, era como se os demónios todos estavam lá dentro e tiravam-me toda a vontade de escrever. A minha amiga Ana é que me incentivou a apagar o ficheiro e escrever de novo. Acabei pôr o fazer e foi a melhor coisa a fazer. Era um novo ficheiro e os demónios desapareceram todos. Por isso, se formos ver por aí, foi uma história que levou 7 anos a ser escrita.


O quanto de si, o quanto do que passou, está representado nas suas histórias?

Um bocado spoiler aqui, mas passei a minha experiência do bullying para o livro. Mas é como digo, realidade alternativa. Enquanto eu nunca pude fazer nada contra os meus agressores, aquele Bruno Lino tinha a Joia da Invisibilidade e assim ele pôde defender-se e atacar os seus agressores, acuais ou não.


O segundo livro da Saga, que espera sair ainda este ano, o que podemos esperar?

Muitas “Revelações”. (Risos). Eu sinto que a escrita aí já foi melhorada. E a história já não é uma simples brincadeira de crianças, já será um pouco mais complexa em que cada detalhe vai ser importante para mais à frente. Eu irei estar ansioso para saber as opiniões das pessoas neste porque eu incluí uma coisa que não sei como as pessoas vão reagir, mas que senti que era o melhor a fazer para aquelas 2 personagens. Dar-lhes outro nome ficava errado e assim é o mais correto.


"Mas é fácil sonhar alto, mas não convém muito para a queda doer menos."

Até onde quer levar esta saga?

Ui… não se assustem, ok? Eu tenho planeado 2 side-stories em que faço o livro inteiramente em 1ª pessoa com o POV dessas personagens. Do grupo d’As Joias Mágicas, está planeado um total de 7 livros. Por isso quero escrever 9 livros! Eu sei, é muito, não se assustem, mas prometo que irão gostar de todos eles.


O tempo entre o primeiro e o segundo livro, foi propositado?

Tem outros projetos em calha?

Eu queria deixar ano e meio de distância entre o 1º e o 2º livro, mas outras coisas aconteceram e o livro teve de ser adiado mais uns mesitos. De momento, os meus outros projetos em calha é escrever a continuação. Talvez, num futuro longínquo quando acabar esta saga, talvez escreva um livro criminal. Mas primeiro esta saga que me acompanhou a minha vida toda e espero que vos acompanhe também.


O que espera daqui para a frente enquanto escritor?

Honestamente não sei. Talvez que mais pessoas conheçam o meu trabalho e que o adorem tanto como eu. Ir fazer uma apresentação a uma FNAC seria um sonho. Mas é fácil sonhar alto, mas não convém muito para a queda doer menos. O que mais quero é que as pessoas gostem da minha história e que isso as inspire a serem melhores pessoas.


"Esses foram os que mais me marcaram, positiva e negativamente."

Olhando para trás, mudaria alguma coisa, no seu livro?

Algumas coisas para poder trabalhar em futuras ideias que já tive. Mas, acho que na verdade não mudaria nada, acho-o perfeito como está.


Se pudesse escolher uma frase para descrever o seu livro, qual seria?

Os portadores d’As Joias Mágicas tentam criar os seus destinos, mas os seus destinos já estão escritos.


Já decorreu alguma situação com os seus leitores que o tenha marcado?

Todos eles me marcaram. Talvez do meu amigo Marco Ferreira (escritor de “Depois da Primeira Página”) me convidar para um café e isso na verdade era a minha primeira entrevista. Tive um casal que considerava amigos, mas depois só por me terem comprado o livro para eles, queriam que eu oferecesse outro para eles darem a outra pessoa. Eu disse que não podia porque tinha de vender os livros e eles criticaram-me como se fosse a escumalha da Terra. Esses foram os que mais me marcaram, positiva e negativamente. Mas tento não pensar nos negativos que isso não leva a lado nenhum (a não ser que seja construtivos).


"Ainda antes do livro sair o meu livro foi um dos nomeados."

Gostaria de explorar outros géneros?

Talvez, quando acabe esta saga, vá explorar os livros criminais. Eu adoro ver C.S.I. e adorava conseguir fazer algo nisso em livros.


Que outros mundos de fantasia, ambiciona criar?

Para já, mais nenhum. Mas se fosse criar, muito certamente deixaria referências aqui e ali do 1º mundo.


Qual foi a sensação de ganhar o Prémio de Melhor Livro de Fantasia 2020? Estava à espera?

Se me dissessem em 2018 que vou publicar o meu livro, eu iria achar incrível. Se me dissessem em 2018 que o mesmo livro ia ganhar um prémio, eu iria rir porque isso seria impossível. Literalmente o meu livro foi publicado em Agosto, e 2 meses depois em Outubro, ganhei o prémio de Melhor Livro de Fantasia de 2020. Ainda antes do livro sair o meu livro foi um dos nomeados. Eu ia passear o meu cão e vi isso antes de sair de casa, fiquei 10 minutos dentro do prédio a delirar! (Risos) Mas prontos, fui à Gala com a mentalidade de ver como era uma gala em pessoa, nunca pensei que o fosse ganhar. Sempre achei uma tarefa impossível. E depois chamam o meu nome. O meu maior medo naquele momento foi fazer figura de parvo e cair das escadas abaixo. Não podia agarrar-me às cabeças das pessoas. Ainda acho incrível como ganhei o prémio. Mas, se o ganhei 1 vez, posso ganhar a 2ª vez. Mas, por um lado, espero bem que não. Outras pessoas também merecem este prémio para os incentivar a escrever e continuar a focar-se nos seus sonhos. Este prémio certamente me incentivou a continuar porque se o 1º livro foi digno de receber um prémio, então estou a fazer algo certo. Não que quem não ganhe não esteja a fazer coisas certas no livro, nada disso! Mas, para mim, foi um grande boost de confiança que recebi para continuar esta saga.


"Há imensos livros fantásticos de Fantasia pelo mundo fora e Portugal também não fica muito atrás."

O ano passado voltou a subir ao palco, para entregar o prémio na mesma categoria, como se sentiu?

Correção: Não foi o mesmo prémio, mas fui entregar o prémio de Top Vendas do Stand Cordel d’ Prata na Feira do Livro de Lisboa 2021. Senti-me ainda mais nervoso. Eu fui preparado, levei um papelinho. Cheguei ao palco e olhava para a folha, para as pessoas, para a folha, para as pessoas. Eu não via nada!! Total pânico. Ainda pior quando o envelope tinha o nome errado do vencedor (a verdadeira vencedora foi a Inês Neves com “O Senhor Lápis”), aí eu entrei em completo colapso por ter feito asneira (na verdade foi o envelope, por isso foi a editora que errou, mas até me dizerem isso mentalizei-me que tinha sido eu). Espero que este ano, se for chamado ao palco, não faça asneira. Conhecendo-me… não faço promessas.


Na sua opinião, o género fantasia ainda é muito contido em Portugal?

Eu acho que pouco a pouco se chega lá. Muita gente lê, mas é muito desvalorizada por algumas pessoas. Mas prontos, é um progresso que se deve ter. Há imensos livros fantásticos de Fantasia pelo mundo fora e Portugal também não fica muito atrás. Temos a “Defensora do Oculto” e “Aquorea” da Andreia Ramos e da M. G. Ferrey, respectivamente, e outros que eu tenho na estante, mas ainda não os pude ler, como “Broken” e “Ressurgir dos Eternos Titãs” da Tânia Dias e da R. C. Vicente, respectivamente.