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André Ferreira - Para si a escrita é... uma forma de transmitir mensagens.

Atualizado: 11 de nov. de 2022

"A partir daí reinvento essa informação adicionando os elementos que são característicos do meu género."

Olá, André!

Muito obrigada por ter aceitado o nosso convite para esta conversa.

Vamos a isso…


Quem é o André Ferreira?

Não sou um escritor. Esse é um título demasiado pomposo. Sou um contador de histórias embalado por canções pop – rock e que tenta através dos universos que cria passar mensagens.


Como a escrita entrou na sua vida?

Comecei a escrever ainda adolescente. A criar as primeiras personagens tinha 13-14 anos. A partir dos 22 anos comecei a desenvolver algumas histórias, a juntar informação e a procurar temas que julgava pertinentes debater.


O que o inspira? O que o move?

A minha inspiração está presente num jornal que leio ou sempre que ligo a TV num noticiário, num documentário.

A partir daí reinvento essa informação adicionando os elementos que são característicos do meu género.


"Mas existe a vontade em o reeditar."

Como surgiu a decisão de publicar o primeiro livro?

A vontade em publicar “O jornalista Americano” sempre esteve presente. A decisão, em publicá-lo, foi encarada como uma tentativa, uma experiência para perceber como seria o mercado editorial.


A sua primeira obra foi “O Jornalista Americano”, ainda se encontra em venda?

Não. Mas existe a vontade em o reeditar.


O que o levou a escrever esta história?

“A marca de Moshe” foi escrito para dar uma continuação de ´´O Jornalista Americano`` foi uma forma de fechar as pontas soltas presentes nessa obra.


"Essas passagens foram construídas como memórias quase esquecidas cuja finalidade é mostrar a crueldade deste momento histórico."

Lançou “O Jornalista Americano” em novembro de 2015 e “A Marca de Moshe” em dezembro de 2021, este intervalo de tempo foi propositado?

Não. Quando lancei “O jornalista Americano” encontrava-me a terminar uma outra história que, supostamente, seria a sua continuação. Mas essa história seguiu uma outra direção e um outro universo. Entretanto comecei a escrever “A marca de Mohse” que terminei em 2017. Voltei a esta história em 2018 para a reescrevê-la.


O quanto de si está representado nas suas histórias?

As minhas histórias refletem os meus ideais e as minhas preocupações com aquilo que nos rodeia.


“A Marca de Moshe” além de Romance, é uma fantasia, como foi construir estas personagens?

Nesta história temos dois tipos de personagens: as sobrenaturais representadas pelas facções nabi e Innominatus. Elas conferem um elemento de entretinimento à história através da sua disposta.

O segundo tipo de personagem diz respeito à personagem Anthony Mendes e Moshe. Estas duas personagens são na realidade uma só, afinal Moshe é uma vida passada de Anthony: será através desta personagem que assistimos às passagens do holocausto que surgem no romance. Essas passagens foram construídas como memórias quase esquecidas cuja finalidade é mostrar a crueldade deste momento histórico.


"Mas as minhas inspirações voam para lá do mundo dos livros."

Com qual se identifica mais?

Sinceramente nunca pensei muito nisso. Acredito que quando um contador de histórias constrói uma trama acaba por ele próprio se diluir nas personagens que desenvolve. Dessa maneira cada uma das personagens acaba por ter um pouco de si.


Onde se foi inspirar para criar uma história tão complexa?

O meu propósito com a Marca de Moshe foi criar uma história sobre um homem comum que se vê envolvido numa situação invulgar. Não sei se as minhas influências literárias estarão muito evidentes, mas elas são Dan brown, Anne Rice, José Saramago.

Mas as minhas inspirações voam para lá do mundo dos livros. As canções pop rock juventude ajudaram-me a desenvolver este universo. Duas em particular: ´´Simpathy for the devil`` dos Rolling Stones e one of us de Joan Osborne. Estas duas canções inspiraram-me a construção das entidades que disputam o protagonista quer em “A marca de Moshe” quer “Em o Jornalista Americano.”

Outra das minhas influências é o cinema. As minhas inspirações nesse campo são o cinema de M.Night Shyamalan e de Christopher Nolan.


Vai lançar o livro dia 18 às 15h00 no Hotel Mundial em Lisboa, esta distância entre a publicação e lançamento foi devido à pandemia?

Houve algumas questões logísticas que ditaram esse atraso. Nomeadamente com a escolha do local de lançamento.

O atraso de que fala deveu-se a razões logísticas apenas. Havia intenção de fazer o lançamento no primeiro trimestre deste ano num determinado lugar e isso, infelizmente não se concretizou.


"Moshe é uma testemunha onírica dos maiores crimes da humanidade."

O que os leitores podem esperar no lançamento do livro “A Marca de Moshe”?

Uma história que concilia entretenimento com uma mensagem no seu subtexto.


O que representa “Moshe”?

Moshe é uma testemunha onírica dos maiores crimes da humanidade. É uma forma também de representar o peso que uma recordação pode representar na vida de alguém.


Onde foi buscar a ideia para o título?

Pelo fato de Moshe ser uma personagem duplamente marcada. Além do número de prisioneiro que cada prisioneiro de um campo de concentração possuía temos também uma marca com que os Innominatus marcam os seus alvos.


"O melhor nesse caso é sempre parar, respirar e recomeçar."

Existe algum projeto agrupado à obra?

Há uma terceira história chamada uma mulher “consciente``.

Esta história pretende preencher o tempo que separa ´´O jornalista Americano`` de ´´A Marca de Moshe. ``

Existem também vários rascunhos de guiões que fui escrevendo inspirados nestas histórias. Talvez um dia consiga adaptá-los.


Quando está em frente ao computador já lhe aconteceu falhar a concentração? Como contorna?

Sim acontece com frequência. O melhor nesse caso é sempre parar, respirar e recomeçar.


Se fosse hoje, mudaria alguma coisa nos seus livros?

Sim. Um livro nunca está acabado.


"Se essa oportunidade surgir estarei aberto a isso."

Enquanto autor que outros géneros gostaria de explorar?

O policial. Mas ainda assim teria de ter este lado sobrenatural presente.


Enquanto autor gostaria de se internacionalizar?

Há sempre a vontade de crescer dentro desta área. Se essa oportunidade surgir estarei aberto a isso.


Qual (Quais) são os autores que o inspiram?

Anne Rice, Dan brown, José Saramago.


"As editoras não tradicionais são fontes de novas oportunidades e uma forma de fazer experiências."

Gosta mais de escrever no silêncio ou o barulho não o incomoda?

Escrevo sempre com auscultadores postos a ouvir uma playlist de canções.


Enquanto autor sente-se apoiado pela sua editora?

Sim sinto.


Na sua opinião, ainda existe algum preconceito em autores que publicam em editoras não tradicionais?

As editoras não tradicionais são fontes de novas oportunidades e uma forma de fazer experiências e de dar destaque a autores portugueses de novos géneros que geralmente não são apostas das grandes editoras.

Acredito que o preconceito de que fala advenha de se explorar esses outros géneros que normalmente são tidos como menores e alvo de descrédito por parte de uma certa elite ou dos seus pares.


"Foi algo que mantive em segredo até há meia dúzia de anos."

Como a sua família viu este caminho pela escrita?

Os meus pais e a minha irmã foram os únicos de que sempre souberam desta minha jornada. Nunca partilhei isto com ninguém. Foi algo que mantive em segredo até há meia dúzia de anos.


Quanto tempo levou a escrever “A Marca de Moshe”?